Lisboa, 24 de julho de 2026 – A Ordem dos Engenheiros congratula-se com a decisão do Governo de manter o compromisso com a concretização dos grandes projetos estratégicos para Portugal, designadamente o NovoAeroporto de Lisboa, a terceira travessia sobre o Tejo, a rede ferroviária de alta velocidade e outros investimentos estruturantes para o desenvolvimento do País, que constituem um hino à engenharia nacional.
A continuidade destes investimentos representa uma decisão estratégica para Portugal. Contudo, a sua concretização dependerá da capacidade técnica instalada no País. Licenciar, projetar, planear, construir, fiscalizar, operar e manter infraestruturas desta dimensão exige engenharia de excelência, engenheiros altamente qualificados e empresas de engenharia com capacidade para responder à complexidade destes desafios.
Portugal enfrenta atualmente uma escassez crescente de engenheiros em diversas especialidades. A crise económica de 2010-2014 acelerou a saída de milhares de profissionais para o estrangeiro, tendência que nunca foi totalmente revertida. A dificuldade em atrair e reter talento continua a comprometer a renovação geracional e constitui hoje um dos principais desafios à concretização do maior ciclo de investimento público das últimas décadas.
Perante este cenário, a Ordem dos Engenheiros considera indispensável que os investimentos anunciados sejam acompanhados por uma estratégia de reforço da capacidade de engenharia do País. Valorizar as carreiras técnicas, captar e reter talento e mobilizar a capacidade instalada da engenharia portuguesa são condições essenciais para assegurar a execução, a qualidade e a sustentabilidade destes projetos.
"A decisão de manter estes investimentos é muito positiva para Portugal. Mas importa responder a uma questão essencial: quem os vai concretizar e em que condições? O País enfrenta uma escassez crescente de engenheiros e continua a perder talento altamente qualificado. Sem uma aposta clara na engenharia e na sua qualificação, Portugal arrisca-se a não dispor da capacidade técnica necessária para executar os projetos que definiu como prioritários. Esta é uma situação que, verdadeiramente, nos preocupa", afirma Fernando de Almeida Santos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros.
"A par, não abdicaremos de desempenhar o papel que o País e a sociedade espera de nós, com a seriedade e rigor que nos são reconhecidos. Continuaremos a acompanhar de perto o que será feito, com que requisitos e com a intervenção devida de engenheiros na liderança técnica dos projetos”, acrescenta Fernando de Almeida Santos.
Neste contexto, a Ordem dos Engenheiros reafirma a sua total disponibilidade para colaborar com o Estado e com a concessionária aeroportuária na definição, avaliação e acompanhamento destes projetos, colocando o conhecimento e a competência dos engenheiros portugueses ao serviço do interesse público e do desenvolvimento sustentável do País. Porque, sem engenharia, os grandes investimentos ficarão apenas no papel.