A Ordem dos Engenheiros e a APA – Agência Portuguesa do Ambiente assinaram esta manhã, pelas 9h30, no auditório da Administração Hidrográfica do Centro, em Coimbra, um protocolo de colaboração para o desenvolvimento de um relatório técnico sobre as cheias de 2026 na Bacia do Mondego e para a revisão dos modelos de gestão do risco, que será desenvolvido exclusivamente por engenheiros nomeados pelas duas entidades.
Em causa está a sucessão de eventos meteorológicos adversos registados recentemente — as tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta e duas superfícies frontais decorrentes da depressão Nils — que impuseram grande pressão sobre as bacias hidrográficas nacionais, provocando cheias com impactos significativos no território, nomeadamente a rutura do dique do leito central do Mondego.
No âmbito da cerimónia, a Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, afirmou tratar-se de um dia feliz, mas também de responsabilidade renovada.
O Bastonário da Ordem dos Engenheiros sublinhou que a instituição voltará a colocar o talento da engenharia ao serviço de Portugal.
Por sua vez, o Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente destacou o simbolismo da iniciativa, referindo que é o Mondego que une todos os envolvidos.
A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, reforçou a importância do trabalho técnico agora iniciado, salientando que é fundamental perceber exatamente o que aconteceu e que, para isso, é necessário o apoio dos engenheiros.
No âmbito deste protocolo, as duas entidades comprometem-se a:
Avaliar a rutura do dique, através de uma análise comparativa entre as circunstâncias verificadas este ano e as ocorridas em 2001 e 2029;
Reavaliar o projeto das infraestruturas do Baixo Mondego e a sua eventual adaptação às atuais exigências decorrentes das alterações climáticas;
Apresentar contributos para o modelo de governança do Aproveitamento Hidráulico do Baixo Mondego, incluindo a revisão do modelo de manutenção continuada e a definição de mecanismos que assegurem meios financeiros para a conservação preventiva, através de um modelo de cogestão participada por municípios, entidades e agentes económicos da região.
O relatório deverá apresentar recomendações concretas para o reforço da resiliência do Baixo Mondego e para a modernização do modelo de governança do seu aproveitamento hidráulico, num contexto de crescente exigência climática e territorial.