A Ordem dos Engenheiros manifesta a sua profunda preocupação com as falhas a nível de segurança que afetam duas plataformas envolvidas no processo dos Exames Nacionais — a de classificação e a de digitalização —, impedindo professores e escolas de concluir atempadamente a correção das provas.
A Ordem lamenta que situações do foro tecnológico continuem a afetar instituições e atribuições do Estado que, neste caso, causam danos aos estudantes e às famílias portuguesas, recordando que o desenvolvimento destas plataformas configura atos de engenharia que devem ser exercidos por quem tem competências e está devidamente habilitado para tal.
De acordo com o Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando de Almeida Santos, "não é aceitável que, num país com engenheiros informáticos e especialistas em sistemas de informação competentes e devidamente reconhecidos pela Ordem dos Engenheiros, em áreas tão vastas como o planeamento e gestão de infraestrutura, proteção de dados, cibersegurança, resiliência de sistemas, entre outros, assistamos, de forma recorrente, a falhas em serviços públicos cruciais, porquanto se persiste em não reconhecer a importância do reconhecimento do exercício profissional e dos atos de engenharia nestas matérias, que são verdadeiros assuntos de interesse nacional. A digitalização dos exames nacionais exige planeamento, testes de robustez e supervisão técnica qualificada. A Ordem dos Engenheiros está disponível para colaborar com o Ministério da Educação na identificação das causas e na definição de soluções.”
A Ordem dos Engenheiros reitera que a recorrência destes episódios não pode ser normalizada. Num país que forma engenheiros informáticos de excelência, o Estado tem a obrigação de exigir serviços públicos digitais com a fiabilidade que os cidadãos merecem e deve acautelar que apenas quem está reconhecido para exercer estas funções, pela respetiva Associação Profissional, o deve poder fazer, porque só assim conseguem ser assacadas responsabilidades técnicas.