A Ordem dos Engenheiros saúda e mostra-se altamente agradada pelo avanço do projeto do Aeroporto Luís de Camões, bem como de todos os investimentos públicos conexos em acessibilidades, porquanto se revestem de interesse estratégico e porque são estruturantes para o desenvolvimento económico do País e para a modernização dos sistemas aeroportuário, ferroviário e rodoviário nacionais.
Neste empreendimento de grandes dimensões, salienta-se pela positiva o empenho do Governo Português e da concessionária ANA, Aeroportos de Portugal.
A concretização de um projeto desta dimensão constitui uma oportunidade de desenvolvimento que deve ser aproveitada não apenas para dotar Portugal de novas infraestruturas, mas também para reforçar a capacidade técnica, científica, tecnológica e empresarial existente no País.
O novo aeroporto representa uma oportunidade histórica para Portugal se posicionar como nova centralidade no tráfego aeroportuário europeu e mundial, atraindo mais investimento e novas oportunidades de desenvolvimento, mas também mais talento e competências técnicas.
A preocupação com o retorno económico e social destes investimentos para o país assume particular relevância num momento em que Portugal se prepara para concretizar um conjunto alargado de investimentos estruturantes, que inclui, além do novo aeroporto, a terceira travessia sobre o Tejo, a expansão da rede ferroviária de alta velocidade e outros projetos com impacto profundo na organização e no desenvolvimento do território nacional.
Os grandes investimentos devem contribuir para a criação e consolidação de conhecimento, atração e vinculação de talento e capacidade produtiva nacionais. A sua execução deve, sempre que possível, mobilizar empresas, profissionais e centros de conhecimento portugueses, promovendo o desenvolvimento de competências que permaneçam no País e possam ser aplicadas a futuros projetos estratégicos.
A par, a Ordem dos Engenheiros recorda que projetos desta natureza envolvem múltiplas especialidades da Engenharia e exigem competências técnicas nas áreas do planeamento, das infraestruturas, dos transportes, da mobilidade, da energia, da água, das estruturas, da construção, dos sistemas digitais, das comunicações e da sustentabilidade, entre muitas outras. A qualidade das infraestruturas a desenvolver será tanto maior quanto o rigor nos critérios e requisitos técnicos dos projetos e das competências e qualificação profissional de quem os desenvolve, executa e fiscaliza.
A Ordem dos Engenheiros entende, por isso, que a concretização deste projeto deve constituir uma oportunidade para reforçar a participação da Engenharia portuguesa e para promover o desenvolvimento de empresas nacionais capazes de responder a projetos de elevada complexidade técnica e dimensão estratégica, com profissionais altamente qualificados.
A valorização da capacidade nacional não significa fechar Portugal ao conhecimento, ao investimento ou à cooperação internacional. Significa assegurar que os grandes investimentos realizados no País contribuem também para desenvolver o País, fortalecendo as suas empresas, os seus profissionais e o seu conhecimento.
A Ordem dos Engenheiros, que acompanha o processo de decisão técnica deste a sua génese, manifesta a sua total disponibilidade para continuar a contribuir para este processo, colocando o conhecimento e a competência dos engenheiros portugueses ao serviço da concretização destes projetos e do desenvolvimento de uma capacidade nacional de Engenharia cada vez mais qualificada, competitiva e preparada para os desafios do futuro.
A concretização dos grandes projetos nacionais exige investimento. Mas exige, antes de tudo, capacidade para os executar. E essa capacidade passa necessariamente pela Engenharia portuguesa.